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Kony 2012: o mundo está realmente diferente!

Exatamente agora, há mais pessoas no Facebook, do que havia no planeta há 200 anos atrás

Isso deve significar alguma coisa!

Publicado em 5 de março, Kony 2012 rapidamente se tornou um viral com cerca de 77 milhões de acessos no YouTube! até o momento da publicação deste post.

O filme de quase 30 minutos trata da campanha de uma organização ativista fundada em 2004 e intitulada Invisible Children Inc. (Crianças Invisíveis), que tem o intuito de tornar real a captura e a prisão de Joseph Kony, líder do grupo rebelde Lord’s Resistance Army (Exército de Resistência do Senhor) por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Tive o trabalho de legendar esse vídeo (levei uma semana, já que a vida anda…) para que eu pudesse discuti-lo neste post. Assistam o vídeo primeiro (se já não o viu) e depois prossiga na leitura:

youtu.be/6TT7ePuFSw4

O vídeo de Jason Russell inevitavelmente causou bastante furor, em prol ou contra a campanha do Invisible Children Inc.

Como exemplo de crítica, a par da viralização do vídeo e do blog ativista da organização, “o blog Visible Children destaca que a Invisible Children gasta menos de um terço do dinheiro arrecadado com a campanha em serviços diretos no norte de Uganda e regiões vizinhas. A maior parte de seu financiamento é aplicada em propaganda, produção de filmes e ainda mais captação de recursos. O blog também questiona se a estratégia proposta pela Invisible Children – dando apoio ao exército ugandês na caça a Kony – é viável e declara que o próprio exército ugandês possui um histórico de violação dos direitos humanos na região.” [ref]

“Além disso, a abordagem feita pela Invisible Children é focada na conscientização e intervenção americana no conflito, não em soluções locais para o mesmo.”[ref]

E mais: “Kony não está mais na Uganda, e não é mais tão evidente uma grande ameaça da LRA à estabilidade na região.”[ref]

Há, claro, uma excessiva simplificação de um problema sistêmico.

E quanto aos detalhes do filme, de fato, não posso concordar com a maneira um pouco, digamos, assustadora de se falar do seu trabalho a um garoto de 5 anos. Além disso, tratar os fatos de maneira maniqueísta (o bem e o mal), como se vê no vídeo, também me parece fazer parte do jeito americano de resolver as coisas. E ainda tenho minhas reservas quando o assunto acaba caindo no enfoque monetário.

Bom, o que mais pudemos pesquisar é que os rebeldes da L.R.A. não são os únicos problemas dos ugandenses. O governo ditatorial e seu exército são corruptos, e a presença americana na região reforça a ideia de que os governos africanos não são capazes de gerenciar seus próprios problemas.

Mas e nós com isso?

A questão central deste post não é exatamente o problema do norte de Uganda, mas os infortúnios ocultos. O que é realmente problema meu? O que eu sei do que aflige as pessoas no mundo em que vivo? A história de Jacob nada tem a ver comigo mesmo? A despeito da maneira (para muitos) equivocada da campanha de Russell e seus colaboradores, devemos reconhecer que a ideia de esperar a ação perfeita e cruzar os braços enquanto isso, também não é nada louvável.

Realmente não me envolvi diretamente com o problema das crianças ugandenses, minha parte consistiu apenas em compartilhar o vídeo e que penso sobre ele.

Eis o que penso: a essência que pude extrair desse vídeo não é a mentalidade da organização Invisible Children ou o drama do jovem Jacob. A essência desse filme, como de muitos outros espalhados por essa malha caótica (porém auto-organizável e autogerível) que é a Internet, é a ideia da conectividade e maior proximidade entre as pessoas. A Internet é uma rede de pessoas. Não posso mais dar de ombros com o que ocorre com meu semelhante no outro lado do planeta, não tenho mais o álibi da ignorância, não posso mais fingir que não existe um mundo inteiro além das fronteiras do meu quadrado.

De fato, não tenho como resolver o problema das crianças de Uganda, mas minha cidade também tem uma periferia cheia de rebentos em risco, cheia de infortúnios ocultos. Não tenho como interferir na política corrupta de Uganda, mas tenho poder de voto em meu país e tenho como me esforçar por exemplificar a honestidade aos que convivem comigo (off ou online).

O mundo está, sim, se tornando cada vez mais uno. O planeta está mais conectado. Vivemos num mundo melhor, sem dúvidas, mas precisa melhorar mais, obviamente. As atrocidades que ainda vemos não são novidades na história humana, e suas recrudescências em algumas localidades não são mais do que as crises que prenunciam a cura. Nunca houve tantas ações coletivas em prol da paz na história humana, nunca houve tanta preocupação com o bem-estar alheio, nunca os direitos humanos foram tão requisitados e aclamados, nunca houve tanta sede e doação de amor como há agora, neste momento, em nosso querido planeta azul. O mundo está melhor. Se compararmos as atrocidades cometidas por seres humanos nos últimos 500 anos, veremos um gráfico descendente até os dias atuais. A humanidade está melhor. E este é um caminho sem volta…

Para aprofundar mais:

KONY 2012 (vídeo original)

Unpacking Kony 2012 (crítica sobre a campanha – em inglês, com tradução para o português)

Kony 2012 (artigo da Wikipedia sobre o vídeo e a campanha – em inglês)

Jason Russell Kony 2012 (artigo sobre o vídeo mais visto na net – em inglês)

Invisible Children (site oficial – em inglês)

kony 2012 (site oficial – em inglês)

Is Kony 2012 FRAUD? Just Asking Questions! (vídeo com questionamentos à campanha – em inglês)

Kony 2012 Brasil (perfil brasileiro da campanha no Facebook)

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  1. Luiz Sena
    4 abril 2012 às 21:51 | #1

    Parabéns pela iniciativa.
    Muito bem colocada a questão. Espero que possamos todos, cidadãos do mundo, entendermos nossa participação global e nossa consciência local na mudança daquilo que for possível, elevando, não apenas a nossa dignidade, mas a humanidade como um todo.

    • 5 abril 2012 às 09:15 | #2

      É exatamente essa a questão, Luiz: nos encararmos como cidadãos do mundo, sem nos esquecermos de nossas responsabilidades locais.

      Um abraço.

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